Houve um curioso padrão em 1977: as trilhas sonoras internacionais, de maneira geral, vieram generosas em minutagem, com pouca ou nenhuma edição nas faixas. No disco internacional de Sem Lenço, Sem Documento, por exemplo, só houve efetivamente cortes nas faixas 3 e 9. A faixa de Grace Jones foi editada sobre a versão estendida, de maneira muito inteligente, diga-se de passagem, por Ieddo Gouveia. Além disso, aqui já se evidenciava uma quase regra para novelas de baixa repercussão ou audiência: trilhas sonoras internacionais excelentes como forma de compensar e trazer lucros à produção, nem que fosse pela vendagem geral dos discos. Mesmo assim, comparado com as novelas que antecederam e sucederam, o disco internacional de Sem Lenço, Sem Documento fechou em modestas 208702 cópias vendidas, enquanto a antecessora Locomotivas viu seu disco internacional vender 622532 cópias e sua sucessora Te Contei? totalizar 623970 de vendas no disco internacional. O que explica isso, afinal? Um disco que reúne Donna Summer, Grace Jones (que despontava para o sucesso popular, mesmo com a crítica torcendo o nariz para seu disco de estreia, Portfolio), Fleetwood Mac, Samantha Sang, Roberta Kelly (com nada menos que seu maior sucesso da era disco, Zodiacs) e Gary Glitter poderia facilmente ter ganho o coração das pessoas. No entanto, uma possível explicação pode residir nas faixas menos conhecidas do disco, sobretudo os temas românticos. Só que essa possível explicação contradiz tantas outras trilhas sonoras que obtiveram sucesso apesar de, num primeiro momento, apresentarem pouco apelo radiofônico. Pesa sobre a novela a baixa repercussão e o desgosto do próprio autor, Mario Prata, com a inexpressividade de sua novela, escrita meses após seu grande sucesso Estúpido Cupido. A verdade talvez jamais seja totalmente conhecida por nós, e... tudo bem, sabe? Algumas lacunas ficam em aberto, mesmo. Bora ouvir o disco?





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