Durante a execução do que seria a segunda parte da série SaladiHistory, no começo de 2025, fui surpreendido pela notícia da morte de um de meus melhores amigos, a quem considerava um irmão caçula. Em homenagem a Leandro Cazzeri Sasso (06/12/1988-23/03/2025) eu "criei" a coletânea "Tudo em Seu Lugar", que era uma reedição de um presente personalizado que dei a ele no seu aniversário de 21 anos, em 2009, com poucas alterações. O luto, ainda hoje existente, na época era tão lancinante que eu recuei de alguns projetos e o SaladiHistory, no meio disso, deixou de existir, sem anúncio. Eu simplesmente não conseguiria seguir adiante com um projeto que me lembrava o tempo todo que, enquanto eu postava uma versão atualizada de uma coletânea pela manhã, pela tarde meu amigo dizia seu último adeus.
Último adeus que, por sinal, foi sentido por mim sem nem ter ideia do que estava acontecendo: no início daquela tarde de domingo, eu estava a caminho da minha igreja para inicialmente servir na Escola de Teologia e mais tarde assistir ao culto. Dentro do Uber, enquanto eu passava perto de onde ele morou antes de se casar, fui tomado pela lembrança da coletânea personalizada que fiz para ele em 2009. Naquele momento eu sentia uma paz e alegria que pareciam com sentimento de gratidão, mas segui meu dia e, como costumo fazer sempre, mal olho o celular ou redes sociais quando estou em outras atividades. Só soube de sua morte ao chegar em casa, pela noite. Quando vi os horários, tudo fez sentido.
Nos 16 anos que fomos amigos, tivemos uma comunicação telepática que nenhum de nós sabia explicar, mas acontecia. Leandro tinha certeza de que sobreviveria ao câncer, porque sempre foi um irremediável otimista. Duas semanas antes de sua partida, eu estava muito inquieto, pensei estar em crises sucessivas de ansiedade, pois cheguei a me acordar num determinado dia com a sensação de "se eu morrer agora, eu tô pronto, tive uma vida maravilhosa". Passei dias pensando que era eu que ia morrer, mas... não era. Entendi que, de alguma forma, acessei o que Leandro nunca nos dizia, pois se preocupava mais com a gente do que com ele mesmo.
Mas vocês devem estar se perguntando por que raios eu tô falando nisso agora, né? Eu prometo que faz sentido: mesmo que eu quase nunca fale sobre mim ou sobre as coisas que me acontecem, eu precisava fechar uma lacuna que deixei aberta, com a suspensão e posterior descontinuação da série SaladiHistory antes de seu fim programado. Não foi por falta de material: eu estava afogado num oceano de emoções indizíveis. Qualquer coisa que eu dissesse, naqueles dias, não seria mediada pela razão. E eu, sujeito racional, não admito quebrar as minhas próprias regras e me expor desnecessariamente. Sempre fui e sempre serei alguém que se preserva em qualquer circunstância. Não significa, no entanto, que eu seja passivo diante dos desafios da vida: significa apenas que eu escolho a dedo minhas batalhas. Com o resto, não perco meu tempo, porque cada vez mais compreendo que a vida é mais rara e preciosa do que pensamos quase sempre.
Mas eu precisava dar um jeito de resgatar discos dos primórdios da Saladificador sem voltar à malfadada série SaladiHistory. Foi então que eu peguei carona no título do álbum de 2006 de Marina Lima (uai, acharam que tudo era criação inédita? Mais vale cópia bem-feita do que originalidade esdrúxula...) e comecei a reorganizar os discos do começo de tudo como... Lá nos Primórdios! Certamente mais volumes virão, conforme eu vou resgatando meus CD-R amontoados nas gavetas antes que a oxidação termine o serviço antes de mim.
Originalmente batizado de "Outstanding Tunes" e lançado no fim de janeiro de 2009 aqui na Saladificador (gente, que nome ruim, o de 17 anos atrás, hein? Deus é mais...), o primeiro volume de Lá nos Primórdios traz 19 faixas que ouvi entre 2005 e 2008. Ah, sim: o que era MPEG no master original segue assim, porque é tudo extraído do CD-R, lembram? A proposta é essa. Claro, tudo devidamente remasterizado.
E... cá entre nós: poder relatar todas essas coisas sem usar IA de muleta é um feito que vai se tornar cada vez mais raro, pelo que tenho observado. Mas... se o Alzheimer não me pegar, não pretendo terceirizar minha atividade cerebral, hehe
Bora ouvir?






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